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Crédito rotativo passa a valer só por 30 dias

por Notícias às 10:18 de 04/04/2017 em Mercado de Cartões

Fonte: CORREIO BRAZILIENSE/BRASÍLIA | ECONOMIA

Regra Limita pagamento mínimo da fatura do cartão. Depois do primeiro mês, dívida será automaticamente parcelada com juros mais baixos

Desde ontem, quem não tem condições de pagar a fatura do cartão de crédito por inteiro pode ficar, no máximo, 30 dias no rotativo, modalidade de crédito mais cara do mercado. Depois desse prazo, se o cliente ainda não conseguir pagar a dívida, o valor será automaticamente parcelado, com juros mais baixos.

Na prática, ao migrar do rotativo para o parcelado, a taxa de juros de até 490% ao ano é trocada por uma de 160%, em média. Com as novas regras, o governo pretende combater a inadimplência e o superendividamento das famílias. As dívidas no rotativo corroem o orçamento das famílias, mostra uma pesquisa feita pelo aplicativo de finanças GuiaBolso, segundo a qual, 41% dos gastos dos brasileiros são com cartão de crédito.

Até a semana passada, os consumidores tinham a opção de pagar o mínimo, que corresponde a 15% do valor da fatura, e deixar o restante para depois. No mês seguinte, a fatura passava a incluir o valor que faltava mais os juros do cartão. Isso poderia se repetir indefinidamente. Nos meses seguintes, caso a pessoa não conseguisse, novamente, pagar o valor integral, poderia rolar a dívida pagando apenas o mínimo, o que gerava a famosa “bola de neve". Agora, quem não fizer o pagamento integral só pode optar pelo mínimo no primeiro mês. Passados 30 dias, o cliente tem duas opções: quitar a dívida ou parcelá-la.

O objetivo do governo com as novas regras é reduzir a inadimplência que, historicamente, é alta entre os brasileiros. Atualmente, 33,2% do total de operações do cartão de crédito rotativo para pessoas físicas não são pagas, enquanto os calotes do parcelado são de apenas 1,2%.

O pagamento mínimo se tornou um problema para a operadora de caixa Lazara Deise, 29 anos, que, há três meses, resolveu cancelar os cartões de crédito para não cair novamente no rotativo. “Fiquei endividada, pagando só o mínimo e rolando a dívida. Tive que cancelar meus cartões de crédito. Acho que, com estas medidas, o povo vai aprender a se segurar”, acredita. As novas regras valem também para cartões de lojas, como Renner e C&A.

Tiro n'água

A possibilidade de parcelar a dívida já existe, lembrou o economista Carlos Eduardo de Freitas, ex-diretor do Banco Central. “Todo mês, quando chega a fatura, o banco dá essa opção. A única diferença é que agora passa a ser obrigatória", explicou. Para ele, os resultados na inadimplência não serão tão positivos quanto o governo espera, porque grande parte das pessoas já parcela o valor. Segundo a Associação Brasileira de Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), os brasileiros costumam ficar 17 dias no rotativo, menos do que o máximo permitido desde ontem, de um mês.

Apenas um em cada dez usuários de cartão de crédito utiliza o rotativo como crédito emergencial. De acordo com o levantamento, 86% das pessoas quitam o valor integral da fatura e 88% têm a intenção de fazer o mesmo no próximo vencimento. Apenas 3% recorrem ao valor mínimo, 5% pagam outro valor e 5% optam por parcelar. “O que a associação diz é que o grosso do rotativo já está sendo parcelado. Sinal de que as pessoas não prolongam, então, a medida deve ser inócua”, disse o economista.