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Economistas preveem ritmo menor no corte dos juros na reunião do Copom

por Notícias às 14:50 de 25/10/2017 em Mercado de Cartões

Fonte: O GLOBO ONLINE/RIO DE JANEIRO

Com os primeiros sinais de recuperação econômica se consolidando e a dificuldade cada vez maior de aprovação da reforma da Previdência, economistas e investidores preveem que o Banco Central reduzirá o ritmo de corte na taxa básica de juros na reunião desta quarta-feira, de 1 para 0,75 ponto percentual. Se o novo corte se confirmar, a taxa Selic cairá para 7,5% ao ano, apenas 0,25p.p. acima da mínima histórica alcançada há quatro anos.

Com a redução, a caderneta de poupança, embora rendendo menos, ganhará competitividade na comparação com fundos de investimento de renda fixa, batendo todos aqueles com taxa de administração igual ou superior a 2% ao ano em qualquer prazo, segundo cálculo da Anefac, associação que reúne executivos de finanças.

O Comitê de Política Monetária (Copom) já realizou oito cortes da taxa básica Selic desde outubro do ano passado, reduzindo-a de 14,25% ao ano para 8,25%. Os últimos quatro cortes foram de 1p.p.. Mas no comunicado divulgado após a última reunião, ocorrida em setembro, os diretores do BC deixaram claro que o processo de estabilização da economia está consolidado e que, se o cenário atual se mantiver, devem diminuir o ritmo de cortes.

"O Copom ressalta que as condições econômicas permitiram a manutenção do ritmo de flexibilização monetária nesta reunião. Para a próxima reunião, caso o cenário básico evolua conforme esperado, e em razão do estágio do ciclo de flexibilização, o Comitê vê, neste momento, como adequada uma redução moderada na magnitude de flexibilização monetária. Além disso, nessas mesmas condições, o Comitê antevê encerramento gradual do ciclo", afirmou o texto.

- Três fatores principais embasam essa perspectiva. A inflação já atingiu seu mínimo e já começa a ganhar mais força, com deflação menor nos alimentos, por exemplo. O segundo fator é o risco fiscal, com a dificuldade de se aprovar uma reforma da previdência substancial, o que limita um pouco os cortes. O terceiro fator é a expectativa de consolidação da recuperação econômica, o que reduz a necessidade de aumento de estímulos - afirmou Carlos Pedroso, economista-sênior do Mitsubishi UFJ Financial Group (MUFG) no Brasil.

Juros baixos tendem a estimular a economia, uma vez que barateiam o acesso a crédito e aliviam o pagamento de dívidas.

- Já estamos operando com juros reais abaixo do nível neutro, o que traz a necessidade de maior cautela com os cortes. Além disso, já temos com uma expectativa consolidada de retomada econômica e com a inflação bastante ancorada, inclusive seus núcleos - ponderou Elisa Machado, economista da Aria Capital.

Segundo Eduardo Canto, gestor da Aria Capital, o juro real (descontada a projeção de inflação) atualmente está na casa de 3% ao ano, nível que o próprio BC considera "estimulativo" - ou seja, tende a gerar aquecimento da economia:

- O BC ganhou credibilidade para trazer os juros a esse patamar. A grande é dúvida é se o ciclo de corte de juros terminará este ano. Precisamos ver o comunicado na quarta-feira, já que o BC tem sinalizado nesses textos o que fará nas reuniões futuras.

Segundo o último Boletim Focus, do BC, o consenso entre os economistas do mercado financeiro é que a Selic terminará o ano a 7% este ano, sugerindo mais um corte de 0,5 ponto percentual em dezembro.

"Avaliamos que o comunicado que será divulgado logo após a decisão e a nota referente à decisão na semana seguinte tenham viés mais 'hawkish' (mais reticente a corte de juros) do que os últimos documentos do comitê, indicando de modo contundente que o ciclo de queda dos juros deve encerrar-se ainda em 2017", escreveu o economista do banco Fibra, Cristiano Oliveira.

- Depois de um corte de 0,5 ponto em dezembro, há a possibilidade de um novo corte, mas ele depende do cenário. Por enquanto, trabalhamos com uma Selic que passará todo ano de 2018 no mesmo patamar - afirmou Elisa. - As eleições são um fator importante que pode influenciar essa trajetória, por exemplo.