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Em CPI , setor varejista critica altas taxas de juros no crédito

por Notícias às 09:45 de 28/05/2018 em Mercado de Cartões

Fonte: DCI-COMÉRCIO INDÚSTRIA & SERVIÇOS/SÃO PAULO | GERAL

A Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) informou por meio de nota que tem participado dos debates e mantém-se à disposição da comissão para os esclarecimentos que se fizerem necessários. Procurados pelo DCI, o Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica, Itaú , Santander e a Febraban preferiram não comentar. O prazo final para a apresentação do relatório da CPI será em 28 de outubro.

Cresce o debate sobre os altos juros do cartão

FINANÇAS

A CPI dos Juros dos Cartões, instaurada em abril, vêm estimulando debates sobre as altas taxas de juros deste mercado. Um dos pontos mais discutidos é o prazo para o pagamentos parcelados.

IDV sugere redução nos prazos de pagamento das vendas parceladas para os clientes; inadimplência é citada como principal razão para taxas excessivas

Em CPI, setor varejista critica altas taxas de juros no crédito

PAGANDO CARO

A CPI dos Juros dos Cartões de Crédito vêm estimulando o debate sobre as taxas de juros exorbitantes encontradas no mercado. Uma das ideias mais discutidas nas reuniões é a de prazos mais curtos para o pagamento proveniente das vendas parceladas por lojistas.

O Sentido instaurou no dia 17 de abril uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os juros cobrados pelas operadoras de cartão de crédito. O presidente da comissão, Ataídes Oliveira, justificou que as operadoras cobram juros “extorsivos" de seus clientes.

Entre as sugestões propostas durante as audiências está a do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV) propõe a redução dos prazos de pagamento ao varejo das vendas na modalidade de crédito à vista. Uma das justificativas para o spread elevado nessas operações refere-se ao risco do parcelado sem juros no cartão.

“O modelo de crédito deveria funcionar como no resto do mundo, onde o valor é desembolsado no dia seguinte. No Brasil, o pagamento só ocorre após trinta dias", diz o conselheiro do IDV, Jorge Gonçalves.

Outro argumento apresentado como possível solução aos altos índices das taxas sugerem uma maior regulação do Banco Central (BC). “Precisamos de normas mais claras que delimitem o alcance do poder econômico, que se imponha regras e taxas que não sejam tão prejudiciais aos consumidores", comenta a economista do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idee), Ione Amorim ao DCI.

“As ações do BC não foram eficazes, não houve um esforço efetivo de baixar as taxas a níveis razoáveis”, aponta a especialista em banking da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Thaís Cíntia Cárnio.

Foram sugeridas ainda a expansão das fintechs no País, como forma de trazer competitividade ao setor, e esforços em educação financeira.

Custo dos calotes e atrasos

O alto nível de inadimplência é apontado como o principal agente responsável peleis altas taxas de juros. “Os bancos e outras empresas credenciadas enviam cartões para os consumidores sem avaliarem os riscos. A taxa reflete o risco da concessão sem uma avaliação criteriosa”, diz Ione Amorim.

“As próprias administradoras de cartões são responsáveis pelo cenário de calotes, já que os distribuem sem fornecer informações detalhadas ao consumidor, levando ao endividamento”, afirma Thaís Cárnio.