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Juros do crédito rotativo caem pela primeira vez desde outubro

por Notícias às 10:26 de 30/03/2017 em Mercado de Cartões

Fonte: O GLOBO/RIO DE JANEIRO | Economia

A decisão do Banco Central de modificar as regras dos cartões de crédito e proibir que alguém fique mais que 30 dias no rotativo começou a surtir os primeiros efeitos: os juros da modalidade caíram pela primeira vez desde outubro, mas o crédito parcelado — apresentado pelo governo como opção para fugir das altas taxas do rotativo — fica cada vez mais caro.

Juros do crédito rotativo caem pela primeira vez desde outubro

Taxa fechou fevereiro em 481,5% ao ano. No parcelado, houve aumento, para 163,5%

A decisão do Banco Central de modificar as regras dos cartões de crédito e proibir que alguém fique mais que 30 dias no rotativo começou a surtir os primeiros efeitos: os juros da modalidade caíram pela primeira vez desde outubro, mas o crédito parcelado — apresentado pelo governo como opção para fugir das altas taxas do rotativo — fica cada vez mais caro. A taxa é a maior desde que o BC passou a registrar os dados, há seis anos.

Segundo dados divulgados pela autoridade monetária ontem, o custo médio do crédito parcelado passou de 161,9% ao ano para 163,5% ao ano. É o maior patamar da série histórica. Enquanto isso, a média das taxas cobradas pelas instituições financeiras no crédito rotativo caiu de 486,7% ao ano para 481,5% ao ano em fevereiro.

Para o chefe do departamento econômico do Banco Central, Túlio Maciel, a tendência é que os juros do rotativo mostrem uma queda ainda maior em março.

— Vários bancos já anunciaram um corte na taxa do rotativo. A gente sabe que vai cair, só não sabe quanto — comenta.

Em janeiro, o governo anunciou uma medida para combater o alto custo do crédito rotativo. O Conselho Monetário Nacional (CMN) decidiu restringir o uso dessa modalidade de financiamento para apenas 30 dias. A partir de 3 de abril, o brasileiro não poderá mais ficar indefinidamente pendurado no rotativo. Pela nova regra, o cliente que não pagar toda a fatura no seu vencimento, tem de liquidar a dívida na fatura seguinte. Os bancos já começaram a criar produtos para atender a quem não consegue pagar a fatura.

MUDANÇA NO FGTS INCENTIVOU DEMANDA

O Banco Central manteve a projeção de crescimento para o crédito de 2% neste ano, apesar das retrações sucessivas do volume de empréstimos no país. Maciel ressaltou que existem sinais de que há melhora para o setor.

A pesquisa trimestral de condições de crédito, também divulgada ontem, mostra, por exemplo, que a demanda por crédito habitacional, que estava negativa nos últimos três meses em 0,25 (numa escala que vai de menos dois pontos a mais dois pontos), passou para o campo positivo. No próximo trimestre, a perspectiva de demanda é de 0,63.

Para Maciel, a mudança de normas para o uso do FGTS é a razão para a alta da demanda. Em novembro do ano passado, o governo decidiu aumentar o limite para o uso do fundo na compra de imóveis, de RS 750 mil para R$ 950 mil nas quatro maiores capitais — nas demais, o valor subiu de R$ 650 mil para R$ 800 mil. já em fevereiro, o governo aumentou o teto.

do valor do imóvel que pode ser financiado pelo Sistema Financeiro Habitacional (SFH) para R$ 1,5 milhão.

— As condições para a tomada de crédito habitacional melhoraram por força das mudanças para fins de enquadramento — falou o chefe do departamento econômico do BC, que completou: — O cenário, agora, é mais promissor para o crédito do que foi 2016.

A pesquisa mostra, ainda, que a demanda por crédito no consumo também saiu do campo negativo e deve ser positiva nos próximos três meses. Passou de 0,24 negativo para 0,14 ponto no azul para o próximo trimestre.

— Há uma melhora visível, que denota uma recuperação gradual da economia — analisou Maciel.