Notícias

Campos Neto é aprovado pelo Senado para dirigir o BC e defende autonomia

por Notícias às 14:43 de 27/02/2019 em Mercado de Cartões

Fonte: FOLHA DE S.PAULO/SÃO PAULO , 27/02/2019 às 03h00

Brasília - O Senado aprovou nesta terça-feira (26) 0 nome do economista Roberto Campos Neto para a presidência do Banco Central no governo JairBolsonaro.

Também foram aprovados os nomes dos diretores Bruno Serra e João Manoel Pinho de Mello, que ocuparão, respectivamente, as diretorias de Política Monetária e Organização do Sistema Financeiro.

Campos Neto, que trabalhou por quase 18 anos no Santander, substituirá Ilan Goldfajn, que ocupa o cargo desde 0 início do governo Michel Temer.

Agora, Bolsonaro deverá confirmar a nomeação, e a previsão é que Campos Neto e os diretores assumam suas funções após 0 Carnaval.

Horas antes da decisão em plenário, os indicados ao BC haviam sido aprovados por unanimidade pelos senadores da CAE (Comissão de Assuntos Econômicos).

Na sabatina, Campos Neto defendeu a aprovação da autonomia do Banco Central, cujo projeto de lei tramita no Congresso.

Segundo ele, 0 BC continuará seguindo as metas de inflação do CMN (Conselho Monetário Nacional), e a autonomia dará mais liberdade para cumprimento dos objetivos.

Campos Neto disse que o Brasil é uma jabuticaba nesse quesito, pois é um dos poucos países queadotaram o regime de metas de inflação e não deram autonomia ao BC.

“A autonomia permite que, com a mesma inflação, o juro seja mais baixo, pois você retira o componente de risco da curva.”

Neto de Roberto Campos, uns dos nomesmais relevantes do liberalismo no país, 0 futuro presidente do BC ressaltou sua visão crítica à intervenção estatal na economia.

“Parece haver certo consenso hoje na sociedade de que 0 Estado brasileiro se tornou grande demais, ineficiente, excessivamente custoso e não atende a muitas das necessidades básicas da população.”

Indicado para 0 BC pelo ministro Paulo Guedes (Economia), Campos Neto fez críticas aos governos do PT, sem mencioná-los diretamente.

“Políticas econômicas excessivamente intervencionistas levaram ao aumento da inflação e a uma recessão profunda, com uma grave piora das contas públicas”, disse.

Campos Neto rebateu ainda uma crítica recorrente, sobre o custo de manutenção das reservas internacionais no BC.

Avaliadas em US$ 390 bilhões, essas reservas funcionam como uma espécie de seguro contra especulações cambiais. Mas, quando o dólar cai, o custo fiscal fica elevado.

Ele afirmou, contudo, que neste momento a manutenção das reservas ficou muito mais barata, na esteira da desvalorização do real e do corte da taxa de juros no Brasil.

O economista foi cobrado por parlamentares sobre os elevados juros de mercado.

Nesse ponto, ele afirmou que o lucro responde pela meRoberto Campos Neto durante sabatina no BanCO Central SergioLima/AFP nor parte (15%) do spreadbancário (diferença entre 0 custo de captação e a taxa cobrada no empréstimo).

O esforço do BC, disse, deve se concentrar no melhor aproveitamento das garantias, na maior segurança jurídica e nas informações dos tomadores de crédito.

Ele acrescentou que o lucro não é melhor métrica para o setor, que deve ser avaliado pela rentabilidade. E 0 retorno, disse, já foi maior —era de 19%, caiu a 12% e está em 15%.

Embora concentrado, o mercado bancário brasileiro é competitivo na avaliação de Campos Neto. Mas isso não reduziu as taxas no mercado.

“Grande parte do questionamento dos senhores é: se tem competição bancária, se tem incentivo do governo, se o BC está atento, por que a taxa de juros de 6,5% não se reflete na ponta? Por isso é importante [entender] 0 spread", afirmou.

Após a confirmação de Campos Neto, Octavio de Lazari Jr., presidente do Bradesco, disse em nota acreditar que a autonomia do BC e a estruturação de condições para o aumento sustentado do crédito são pilares fundamentais para uma gestão de avanços no BC.