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Startup Nubank é cotada a US$ 4 bi após aporte

por Notícias às 09:33 de 09/10/2018 em Mercado de Cartões

Fonte: O ESTADO DE S.PAULO/SÃO PAULO | ECONOMIA & NEGÓCIOS

Novo patamar. Dona de serviços como WeChat e WePay, populares na Ásia, Tencent adquiriu participação minoritária na brasileira; para especialistas, investimento ajudará empresa de cartões de crédito a ganhar escala e se tornar banco digital completo’

Nubank, conhecida pelo seu cartão de crédito roxo, anunciou ontem que recebeu uma rodada de investimentos de US$ 180 milhões da chinesa Tencent, uma das maiores empresas de tecnologia do mundo. De acordo com o site americano ‘The Information’, que antecipou a notícia, o investimento faz o Nubank ser cotado em US$ 4 bilhões, tornando-se a maior startup de capital fechado da América Latina.

Segundo as companhias, US$ 90 milhões serão investidos diretamente na empresa, enquanto outros US$ 90 milhões serão utilizados pela asiática para comprar participação de outros acionistas da startup brasileira. Ao todo, a chinesa deve ter uma fatia de cerca de 5% dentro do Nubank, disseram fontes próximas ao assunto.

Fundado em 2013, pelo colombiano David Vélez, o Nubank tem registrado crescimento expressivo nos últimos meses: há duas semanas, divulgou ter 5 milhões de clientes em seu cartão de crédito controlado por aplicativo, 20% mais do que tinha em fevereiro. Além disso, a empresa também tem 2,5 milhões de usuários em sua conta bancária digital, a NuConta, lançada há cerca de um ano.

“O projeto do Nubank é ser um banco digital completo. Uma avaliação de mercado de US$ 4 bilhões é condizente com o potencial da empresa”, avalia

PARA LEMBRAR

2018 está sendo um ano agitado para o Nubank: em janeiro, a startup de David Vélez recebeu autorização do Banco Central para atuar como financeira, podendo, por exemplo, realizar empréstimos. Dois meses depois, a empresa anunciou uma rodada de investimentos de US$ 150 milhões feita pelo fundo DST Global. Na época, Vélez também revelou que o Nubank já tinha se tornado um unicórnio (startup avaliada em mais de US$ 1 bilhão), fazendo parte de um seleto clube de empresas brasileiras, junto do app de transportes 99 e da empresa de pagamento PagSeguro.

Guilherme Horn, diretor executivo de inovação da consultoria Accenture. Na visão do especialista, os números atuais do Nubank o credenciam como um dos maiores bancos digitais do mundo, mesmo atuando apenas no Brasil em entrevista recente, David Vélez negou ter planos de expansão para a América Latina no curto prazo.

Já para o presidente da Associação Brasileira de Startups (ABStartups), Amure Pinho, o investimento mostra a força do ecossistema brasileiro de startups, mesmo em meio à crise. “E um sinal de que nosso mercado consumidor interno tem apetite”, afirma ele, ressaltando que o investimento ajudará o

Oportunidade. Para Vélez, do Nubank, laço com chinesa foi oportunidade imperdível que credenciou o Nubank a brigar de frente com as instituições bancárias tradicionais brasileiras. “A empresa tem tudo para ser a maior emissora de cartões do País em breve.”

Destino. Em comunicado divulgado à imprensa, o presidente executivo do Nubank, David Vélez, ressaltou que a empresa não “precisava de mais capital neste momento” em fevereiro, a startup recebeu um aporte de US$ 150 milhões do fundo DST Global. “Já geramos caixa operacional desde o ano passado, mas não poderiamos deixar passar a oportunidade de ter a Tencent conosco.” Para especialistas ouvidos pelo Estado, a troca de conhecimento com a chinesa será o principal ganho do Nubank na operação.

“Os chineses têm um grande conhecimento para fazer negócios ganharem escala”, diz Horn, da Accenture. “Além disso , mudanças que já estão maduras na China ainda não aconteceram aqui, como toda a revolução na área de pagamentos.”

E um setor que a chinesa tem experiência: hoje, é dona do WePay, um dos serviços de pagamentos móveis mais populares do mundo. Ele funciona dentro do WeChat, espécie de WhatsApp chinês, utilizado por mais de 1 bilhão de pessoas atualmente. Além disso, a Tencent também tem participações em empresas como Tesla, Snap e o aplicativo de transportes Didi. Avaliada em US$ 360 bilhões, a chinesa também é dona da Riot, produtora do sucesso dos games League of Legends.